Inverso

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1. Ariana +

Universo paralelo, vastidão do espaço
O silêncio é paz e o aconchego é um abraço
Seus olhos que guiam meus passos
Olhos que guiam

Dança entre planetas
“Corre” Vênus é meu cais
Arianamente descarrega sua graça
Seus lábios transpiram fumaça

Brilha acesa nossa vela, unem-se os astros
E num leito tão sagrado deita-se em meus braços
Eternamente seus, eternamente seus

  • Letra e música:
    Ricardo Borges
  • Violão e voz:
    Ricardo Borges
  • Mellotron:
    Diego Zanini
  • Percussão:
    Márcio Kbcinha e Vagner Uberti


2. Corda Bamba +

Cada passo seu é liberdade
É a sobriedade de quem respira o Universo
Cada sentimento seu é uma explosão
De sentidos

Cada riso é como um grito de silêncio
Que precisa ser ouvido
Cada lágrima é a interação consigo mesma
A provação para si
E o que há em si?

Há tanto afeto que transborda
Tanto amor que alguns se espantam
Que o equilíbrio vira corda bamba

Nela há um menino que me entorta
Nela há uma sábia que me encanta
Há uma mulher que é mãe de tantos
Às vezes esquece de si mesma
Mais bonita ainda é sua aura
Tão colorida e transparente

Não vê em si tudo o que é

Buscar… Equilibrar.

  • Letra e música:
    Ricardo Borges
  • Violão/guitarra e voz:
    Ricardo Borges
  • Baixo nylon:
    Ricardo Borges
  • Bateria:
    Vagner Uberti
  • Percussão:
    Márcio Kbcinha


3. Mar de Algodão +

Eu ouço o sopro do silêncio teu a me dizer
Eu ouço a pedra entalada na garganta sem dizer
Eu ouço a gota que dos galhos cai pro quintal
Eu só não vejo o que é tão claro
Num mar de algodão

Eu ouço o riso frágil do campo ao ver o Sol
E até mesmo um peixe gritar no anzol
Eu ouço o passo leve da pluma passear
Eu só não noto a diferença entre eles e nós
Devem ser os nós

De galho em galho sempre por cair
De galho em galho sempre

  • Letra e música:
    Ricardo Borges
  • Violão aço e voz:
    Ricardo Borges
  • Baixo fretless:
    Pedro Bagesteiro
  • Trombone:
    Hélio Abreu
  • Sintetizador:
    Diego Zanini
  • Percussão:
    Vagner Uberti


4. Translucidez +

Será grande? Será que dá pé?
Será distante? Caberão meus pés?
Pêra, manga, cheiro de café
Preto ou branco, ambos vão dar pé

E eu vou dar no pé
Só se for a pé que eu vou

Insistir tanto em sonhar
Translucidez, mergulho em água salgada

  • Violão e voz:
    Ricardo Borges
  • Contrabaixo:
    Lucas Almeida
  • Bandolin:
    Gabriel Opitz
  • Trombone:
    Hélio Abreu
  • Bateria:
    Vagner Uberti
  • Percussão:
    Márcio Kbcinha


5. Lembrança +

Eaí, como vai? Me desculpe a data
Eu só queria algumas coisas te dizer

Que onde você não está, eu ainda posso te ver
Lembrar da tua boina sobre o colo
Teu olhar sobre o fogo

Com a infância a favor, a vida era um jogo
Mais foi-se o tempo de brincar
Foi-se a época de talhar madeira

Agora sou homem crescido
E você é parte de um passado querido

Na infância eu era pequeno e você de olhar sereno
Me ensinou a ver o mundo girar, o tempo fluir, a vida seguir
Porque toda vida segue, pra todo início existe um fim
Para o mundo se nasce, pra terra se volta
A vida é simples assim

Saudade palavra estranha, amplitude tamanha
Uso mil palavras pra ela definir
Eu não as entendo, mas posso sentir
Lendo nosso livro pra te ouvir

  • Letra:
    Geison Sommer
  • Música:
    Ricardo Borges
  • Violão e voz:
    Ricardo Borges
  • Violão 7 cordas:
    Pedro Issler
  • Acordeon:
    Elias Rezende


6. Inverso +

Só no silêncio, pensamento
Para recriar, repintar, transformar a foto de si mesmo

Auto-conhecimento é a modesta parte de sonhar
Entender que o amor é parte do seu ser, basta ser

Nada mais, não preciso de nada mais
Tá tudo certo, tudo em paz, estou em paz

Comigo mesmo e todos seres que habitam minha morada
Faz um verso, faz Inverso
E o Universo cabe no papel

E a Vida é a maior que eu, que tu, que nós
E eu já percebi faz algum tempo

  • Letra:
    Ricardo Borges, Lutiano Nascimento, Janaina Castaldello
  • Música:
    Ricardo Borges
  • Violão e voz:
    Ricardo Borges
  • Contrabaixo:
    Lucas Almeida
  • Flauta:
    Paula Rodríguez
  • Vozes:
    Paula Rodríguez e João Kanieski
  • Percussão:
    Márcio Kbcinha



  • Produção musical:
    Ricardo Borges e Leandro Carvalho
  • Gravação:
    Leandro Carvalho
  • Mixagem:
    Fernando Dimenor na Téc. Áudio (POA)
  • Masterização:
    Marcos Abreu
  • Arte:
    Lutiano Nascimento

Participações de:
Márcio Kbcinha (percussão), Vagner Uberti (bateria), Lucas Almeida e Pedro Bagesteiro (contrabaixo e baixo fretless), Gabriel Opitz (bandolim), Helio Abreu (trombone), Maria Paula Rodríguez (flauta y voz), João Kanieski (voz), Diego Zanini (teclado e sintetizador), Pedro Issler (violão 7 cordas) e Elias Rezende (acordeon).

o álbum

Em busca de uma sonoridade distinta e de amadurecimento individual, o músico Ricardo Borges, 22 anos, encarou um desafio diferente, não explorado, até então, em sua jornada artística. O músico, integrante da banda Pegada Torta, de Santa Maria, é inquieto, como um artista em sua essência, e sentiu necessidade de deixar sua arte fluir de forma pessoal, orgânica e transparente.Assim, nasceu Inverso, seu primeiro disco solo, composto por seis faixas produzidas no último ano, em parceria com amigos – definidas por ele como "encontros musicais e espirituais.

O álbum foi lançado  em junho de 2017, em um show no Espaço Cultural Victório Faccin, com plateia lotada. Apesar da pouca idade, Borges sempre foi decidido e dedica a vida à música. O CD é o resultado desse empenho em relação à arte e das inspirações que ela proporciona em sua vida. Nas faixas, ele evidencia os arranjos com violão, pondo em prática os conhecimentos adquiridos no curso de Música – Bacharelado em Violão, que ele frequenta na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ricardo conta que processo de criação desse trabalho foi intuitivo e confessa conseguir musicar composições de outras pessoas com facilidade. Porém, para escrever as próprias letras, precisa de muita inspiração.

A sonoridade intimista é um sossego sonoro. Um tipo de música que abraça e conforta os ouvidos e a mente. A maturidade musical do trabalho do jovem músico impressiona. Deixa evidente a diferença entre a obra de um artista que, além de ter o dom, vive a música de forma plena e com protagonismo, das produções de quem encara a arte de forma secundária.

Texto adaptado do original de Cassiano Cavalheiro, publicado no Diário de Santa Maria em 14/06/2017.